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Notícias Diocesanas

TERMINA HOJE A ASSEMBLEIA DOS BISPOS DO ESTADO DE SÃO PAULO

Começou na terça-feira, 06, a 80ª Assembleia do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida (SP). Os bispos do episcopado paulista estavam reunidos para refletir sobre o tema central do evento “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade: Sal da terra e luz do mundo”; o ano do laicato de 2018; a recepção e as implicações para as dioceses do Regional Sul 1”.

Entre os temas prioritários previstos estavam o Relatório das Comissões Episcopais de Pastoral; Prestação de Contas; Revisão do Regulamento do Conselho Episcopal Regional; Propostas para a Assembleia das Igrejas Particulares, 20 a 22 de outubro de 2017; outros assuntos.

A primeira palestra da assembleia foi proferida pelo bispo de Santo André, dom Pedro Cipollini com o tema Cristãos Leigos e Leigas.

Dom Pedro Cipollini, fez a apresentação de alguns aspectos do Documento 105 da CNBB, “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade”, aprovado na 54ª Assembléia Geral da CNBB.

Sua apresentação consistiu de um Prêambulo, de uma introdução, apontamentos do primeiro e segundo capítulos. Preâmbulo: a) Missionários anônimos: guardamos a memória dos que escreveram a Tradição e o ensinamento dos apóstolos. Mas os missionários dos primeiros tempos, foram os anônimos. Sem pensar neles não compreendemos a missão cristã (cf. Rm 16); b) Partilha no silêncio: “Gente humilde que se deixava converter pela memória e atualização da prática de Jesus, distribuía seus bens e partia para a missão. Como entender de outra forma a impressionante expansão do cristianismo, sem apoio do Estado, sem financiamentos oficiais; c) mudanças: com o fim das perseguições o Cristianismo torna-se religião oficial (381), predomínio do clero e dos monges que assumem todos os ministérios na Igreja, os leigos são os receptores passivos. d) societas perfecta: Igreja como sociedade perfeita desigual; os que guiam e os que são guiados; separação entre clérigos e leigos. e) Concílio Vaticano II: recupera o verdadeiro papel do leigo na Igreja. Capítulo IV da Lumen Gentium; Decreto Apostolicam Actuositatem (sobre o apostolado dos leigos. f) Por um laicato maduro (Ad Gentes 21).

Para finalizar, o bispo concluiu, a) A conversão para uma vivência eclesial pautada pela dignidade do batismo que faz de todos na Igreja “sujeito eclesial”; b) valorizar o sacramento do Batismo e a Iniciação cristã. c) crescer na consciência de que Igreja e missão são tarefas de todos, para serem vividas na unidade e na diversidade; d) desclericalizar o laicato que fica controlado pelo clero. Criar harmonia entre clero e laicato, entre os próprios leigos; e) respeitar os direitos dos leigos na Igreja assim como se respeita os direitos dos clérigos.

A segunda palestra foi proferida por Laudelino Augusto dos Santos Azevedo, membro do Setor Leigo da Comissão Episcopal do Laicato da CNBB.

Laudelino iniciou sua reflexão com um refrão do Padre Zezinho: “Pela graça de Deus, sou aquilo que sou, leigo na Igreja, membro do corpo de Cristo Jesus, cristão no mundo, sendo fermento, sendo sal, sendo luz. Com este refrão temos o resumo do documento 105. A mensagem de Cristo é a mesma, mas os tempos mudam, recorre a afirmação de Dom Helder”, salientou.

O eixo da reflexão foi sobre a recepção e implantação do documento nas dioceses do Regional Sul 1. Como tem sido recebido, entendido, aplicado? Como promover uma recepção dentro de um espírito do consenso eclesial? Foram algumas das questões levantadas pelo assessor.

Ele destacou que o documento seja acolhido pela igreja como um todo. É um desafio promover esta recepção, exige de nós superar algumas convicções, conceitos, questões consolidadas e abraçar o novo em alguns aspectos.

Ressaltou que o documento explicita verdades que ainda não tinham sido assimiladas. O documento tem que entrar não só na mente, mas também no coração. Na mente existem estruturas consolidadas. No coração, já acolhemos com mais facilidades. Acolhê-lo nos braços e nas pernas, é como um processo e precisa de uma vontade necessária. Queremos? É isso mesmo? Uma coisa é o documento escrito, outra coisa é a praticidade na realidade das comunidades. É sempre um desafio. Entre o discurso e a prática, existe a interpretação, vai ser bem ou mal recebido. Podem ocorrer desvirtuamentos, seleção daquilo que interessa e deixa para lá o que não interessa. É preciso que haja adesão aos ensinamentos. Convicção. Motivação. É um caminho a percorrer, não há automatismo, imediatismo. É um processo. Não se pode obrigar. É necessária uma mudança de mentalidade e estruturas, a começar pelo papel do leigo como corresponsável. A vontade se revela na disposição de mudar estruturas. Aprender com Maria no exercício do acolhimento do documento. Pode haver rejeições teóricas e práticas no processo de recepção. O documento tem a finalidade de questionar, desinstalar. Deve ser acolhido pelo corpo eclesial. A recepção será a vivência daquilo que o documento propõe: “fazei tudo o que Ele vos disser”. Para uma boa recepção do 105, uma boa referência é o documento n. 100. O que não pode ocorrer, é que todos ocupados com suas agendas, acabem dispensando coisas diferentes, novas.

Ao falar das implicações, o assessor indicou alguns parágrafos do documento 105: 1) a relação Igreja, Mundo e o Reino: n.15; n. 241; n. 242; n. 81; n. 151; n. 152; n. 156; n.159. O Foco do documento está no item 10: a afirmação dos cristãos como verdadeiros sujeitos eclesiais. n. 119; n. 132. Duas ênfases: n.5 e n. 7: índole secular e a participação na ação pastoral da Igreja. Indicativos: n.274; Compromissos: n. 275

No segundo dia, em sua conferência intitulada Os leigos na educação, o secretário discorreu, em sua palestra, sobre Educação: dever do Estado e direito de todos. A Constituição do Brasil de 5.10.1988 erigiu a educação, mostrando que está é direito de todos. Mas esse direito de todos é dever do Estado e da família, com a colaboração da sociedade. (Artigo 205 da CF). O preceito inclui todas as pessoas, sem exceção, na titularidade passiva dessa relação obrigacional: não há quem seja dispensado de atuar na educação. Isso vemos desde o tempo dos Jesuítas no Brasil Colônia até a escola pública nos nossos dias. São Paulo nasceu com uma escola. Relevante papel da educação confessional durante séculos.

O conferencista destacou, também, alguns atos de vandalismos ocorridos nas Diretorias de Ensino e nas Escolas Estaduais. Temos que utilizá-las, reconhecer nelas o que há de válido, mas compreender seus limites, para que possamos repensar o Ministério Público, mas também de maneira crítica.

O que pode ser feito? Imprescindível a aproximação de todos junto ao ambiente escolar. Primeiro: porque é um dever jurídico – artigo 205 da Constituição. Depois: porque é um dever moral – um ser ético não pode se sentir descomprometido desse ônus. Terceiro: por prezar a sobrevivência da civilização. O dever do cristão: Sobrepõe-se a todos esses argumentos, o dever cristão de participar do processo educativo. Há uma demanda moral urgente de real envolvimento de toda a Igreja no resgate de almas facilmente manipuláveis pelo mal. A todo batizado incumbe um ministério e, dentre a multiplicidade de veredas para ajudar a Igreja a ser ela própria e a levar a bom termo a sua missão, não é dos menores ou desimportante o ministério da educação, pontuou o palestrante.

Falou, ainda, sobre a importância de educar para o amor. Para o cristão, o amor tem significado multidimensional. ‘Nisto todos reconhecerão que sois meus discípulos: no amor que tiverdes uns para com os outros’ (João, 13,35). Como deixar de sentir e de se deixar levar pela misericórdia, pela bondade e pela compaixão por quem está sendo conduzido para o mal? Como recusar-se a tal missão salvífica? Cultivar e despertar amor: A compaixão é a virtude que nos possibilita valorizar o outro – qualquer outro – por si próprio e não como meio utilitário ou funcional para os nossos fins.

Prosseguiu, o amor-compaixão está presente quando se detectam os indicadores que seguem: 1. Ter cuidado conosco; 2. Conhecer as nossas limitações e aceitar a misericórdia de Deus; 3. Desenvolver a autoestima; 4. Escutar com total atenção; 5. Estar aberto para o inesperado; 6. Tocar-se pelo que experimentamos; 7. Entender o significado do que o outro experimenta; 8. Compartilhar com o outro o que ele (ou ela) sofre, sem culpa, crítica ou projeção de nossas próprias preocupações; 9. Cumprir promessas e compromissos de estar com os outros e amá-los.

Na ordem prática: 1. Estimular o protagonismo da Pastoral da Educação; 2. Conclamar os pais à assunção de suas responsabilidades; 3. Aproximar-se da escola pública e motivá-la a uma vivência fraterna; 4. Adotar afetivamente a escola mais vulnerável.

Após o encerramento da palestra, o secretário de Estado teve um rápido momento para atender as perguntas dos participantes.

Presidentes apresentaram o relatório pastoral – A parte da tarde os Bispos referenciais das Comissões Pastorais apresentaram o relatório anual de atividades. O relatório trouxe diversas atividades, questões desafiadoras de cada pastoral, empenhos assumidos, com realizações e conquistas.

O Regional é o maior em número de bispos, com cerca de 80 representantes do episcopado. Só nas (Arqui) Dioceses da Grande São Paulo trabalham 25 bispos entre atuantes e eméritos. Ao todo, 6 arquidioceses, 37 dioceses e 6 Regiões Episcopais da Arquidiocese de São Paulo compõem o Sul 1. O estado está organizado em 8 sub-regiões Pastorais (Aparecida, Botucatu, Campinas, Ribeirão Preto I e II, São Paulo I e II e Sorocaba).

 

Fonte: CNBB Sul1

 

 

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